NATUROPATIA
Em geral, a naturopatia enfatiza a prevenção, o tratamento e a promoção de saúde através do uso de métodos e modalidades terapêuticas que estimulam o processo de autocura – “vis medicatrix naturae”. A abordagem filosófica da naturopatia inclui a prevenção de doenças, habilidades inerentes de cura do corpo, tratamento natural da pessoa como um todo, responsabilidade pela própria saúde e educação dos pacientes em ações de promoção de um estilo de vida saudável. A naturopatia combina conhecimentos centenários de terapias naturais com avanços atuais na compreensão da saúde e dos sistemas humanos.
A naturopatia, portanto, pode ser descrita como a prática geral de terapia de saúde natural (WHO, 2010).
Assim, a naturopatia é, antes de tudo, um processo educativo, tanto preventivo quanto reequilibrado, no tratamento dos distúrbios já instalados no organismo. Assim,
o profissional deve orientar o paciente a erradicar disposições usuais, venenosas para
o organismo, corrigir práticas mentais e físicas, buscando o equilíbrio, e transformar padrões existenciais. O naturopata é um terapeuta holístico, atento ao todo, pronto para perceber as reais necessidades do paciente, que é uma pessoa composta por várias dimensões e diversas faces, alguém que tem um organismo físico, um corpo emocional e outro espiritual. O bom profissional jamais pode ignorar essa realidade e mutilar o ser, fragmentando suas demandas (SANTANA, 2020).
Para a OMS (2010), as terapias mais comumente usadas em práticas naturopáticas são: acupuntura, medicina botânica, aconselhamento, homeopatia, hidroterapia, manipulação óssea naturopática, nutrição, terapias físicas (por exemplo, massagem de tecidos moles, eletroterapia etc.).
O naturopata deve ter noções de homeopatia, alimentação natural, nutrologia, massagem integrativa, shiatsu, florais de Bach, respiração holotrópica, meditação, iridologia, hidroterapia, fitoterapia, complementos nutricionais, medicina tradicional chinesa, medicina tradicional japonesa (nishi), fisiognomia chinesa e indiana, acupuntura, acupressura, geobiologia, oligoterapia e sais de schuessler, aromaterapia, reflexologia podal, cromoterapia, quiroprática, quiromassagem, osteopatia,
helioterapia, rebirthing, pulsoterapia, entre outras (SANTANA, 2020).
HOMEOPATIA
A homeopatia, fundamentada, em 1796, pelo médico alemão Samuel Hahnemann, é um modelo terapêutico que propõe o princípio de cura pela similitude, através da administração de doses infinitesimais de substâncias medicinais que, ao terem sido experimentadas previamente em pessoas sadias, apresentaram sintomas semelhantes aos do indivíduo enfermo. Para se tornar um medicamento homeopático, a substância deve ser experimentada em seres humanos, seguindo um
protocolo de experimentação patogenética, e ter seus efeitos primários (mentais, gerais e físicos) descritos em livros (TEIXEIRA, 2006).
Essa terapia baseia-se na utilização de preparações medicamentosas com diversas escalas de diluição, que visam a promover a cura do paciente por meio de uma estimulação do organismo, levando-o a homeostasia. Assim, pode-se dizer que a homeopatia trata a origem da doença, e não apenas os seus sintomas, combatendo por meio da semelhança dos sintomas do doente (DIAS; MACHADO, 2013).
De acordo com o princípio dos semelhantes (Similia Similibus Curantur – semelhante-cura-semelhante), as substâncias que podem causar sintomas semelhantes aos de uma afecção em um indivíduo sadio podem, de fato, curar um indivíduo doente (DIAS; MACHADO, 2013).
Para Hahnemann, o tratamento homeopático deveria ser realizado sempre com apenas um único medicamento, tornando essa uma característica da doutrina homeopática. Com a utilização de um único medicamento, é possível que todos os males do paciente sejam tratados, porém a cura nem sempre é obtida de uma vez só, alcançando apenas uma alteração no quadro sintomático e logo se vê a necessidade de um novo medicamento (DIAS; MACHADO, 2013).
Os medicamentos usados em homeopatia têm origem nos diferentes reinos da natureza, assim como nos produtos químico-farmacêuticos (soros, vacinas, culturas bacterianas, medicamentos alopáticos), substâncias e/ou materiais biológicos, patológicos ou não, além de outros agentes de diferente natureza. Ainda, o Reino Animal também é uma fonte para a preparação de medicamentos homeopáticos, mas em menor quantidade (ANVISA, 2011).
O Reino Vegetal constitui a maior fonte para a preparação de medicamentos home- opáticos. O vegetal pode ser usado inteiro e/ou apenas algumas de suas partes, nas diversas fases vegetativas, como parte supraterrânea, sumidade, folha, flor, pelo, casca, lenho, rizoma, fruto e semente. Utiliza-se ainda seus produtos extrativos ou de transformação: suco, resina, essência etc., além do estado vegetal (fresco ou dessecado) (ANVISA, 2011).
A farmacotécnica homeopática baseia-se em diluições seguidas de sucussões e/ou triturações e dinamização, que, de acordo com a Farmacopeia Homeopática Brasileira (ANVISA, 2011), apresentam finalidade preventiva e terapêutica.
Para manipular um medicamento homeopático, a primeira preparação, feita a partir dessas substâncias de base, é a tintura-mãe, que pode ser obtida ao colocar a droga vegetal em contato com uma combinação de água e álcool, a qual é agitada de modo regular durante vários dias (lembrando o
processo de maceração). Se a matéria de base é um mineral, este é utilizado pulando-se a etapa da tintura-mãe; o mineral é triturado em um pilão até ficar solúvel; a partir de então, são feitas as primeiras diluições. Por fim, se a substância for de origem animal, ela passará pela trituração, assim como as substâncias de origem mineral. Qualquer produto resultante da trituração deve ser homogeneizado logo depois dessa primeira etapa (ANVISA, 2011).